Humberto Kzure-Cerquera
Gustavo Badolati Racca
Arquitetos e Urbanistas Consultores – Heróis do Futuro/FIRJAN

As cidades são espaços criados historicamente pelo ser humano, onde os indivíduos estabelecem relações sociais, culturais, políticas e econômicas. Podem ser pequenas, médias ou grandes e, neste século XXI, a maior parte da população mundial vive em cidades. No entanto, a vida urbana tem revelado que, desde que foram originadas, as cidades apresentam problemas de infraestrutura e no equilíbrio socioeconômico e ambiental.

No mundo cada vez mais globalizado, as cidades de hoje enfrentam o desafio de construir um futuro com mais qualidade ambiental e desenvolvimento sustentável. Neste caso, torna-se prioritária a busca por alternativas que sejam capazes de corrigir os problemas acumulados com o tempo. Por exemplo, os problemas de saúde pública, as desigualdades sociais, a precariedade da infraestrutura urbana e o uso inadequado dos recursos da natureza, sobretudo nos países mais pobres.

No Brasil, hoje considerado um país de desenvolvimento econômico emergente, e onde a maioria da população está concentrada em centros urbanos, ainda se verificam os conflitos provocados pela má distribuição de renda que resultaram em aglomerações de assentamentos pauperizados, como as favelas, excluídos dos bens essenciais para a reprodução da vida. Com isso, para que existam oportunidades mais igualitárias na sociedade brasileira, é preciso fazer mudanças de ordem política, econômica, social, cultural e, também, ambiental.

Mas, como implementar nas cidades brasileiras uma perspectiva sustentável? Essa é uma questão desafiadora para o planejamento do espaço urbano no país. Por um lado, é preciso assegurar condições fundamentais para o bem estar físico, mental e social dos habitantes dos meios urbanos no Brasil, contemplando o direito a moradia digna, a educação e cultura, a melhoria da renda familiar e a alimentação adequada. Por outro, desenvolver as melhores práticas para a construção do meio ambiente urbano mais equilibrado, por meio de uma infraestrutura capaz de atender a necessidade por saneamento básico, tratamento adequado dos resíduos, conservação de energia, transporte urbano adequado, segurança pública, entre outros.

Diante disso, é importante ressaltar que o avanço da globalização tem provocado mudanças no modo de vida urbana. Os indivíduos estão diante de novos modos de ver e agir no mundo, dado aos novos mecanismos de comunicação e informação que padronizam, inclusive, valores socioculturais e comportamentos humanos.

Os novos padrões de consumo têm revelado que a sociedade torna-se cada vez mais heterogênea, e que os meios de produção econômica incorporam as novas tecnologias buscando a definição de metas que garantam o desenvolvimento sustentável. Mas, ainda há um longo caminho para a construção da desejada sustentabilidade. Neste caso, é essencial que as diferentes esferas de governo e da sociedade civil elaborem programas e parcerias de alcance urbanístico, social, econômico e cultural.

A necessidade de conscientização coletiva quanto à modernização estrutural das cidades exige o desenvolvimento de programas para a erradicação da pobreza, a priorização do transporte coletivo – metrô, trem etc. –, a utilização de fontes de energia não poluentes – solar, eólica etc. –, o manejo e a reciclagem de resíduos sólidos, a ampliação das áreas verdes urbanas – praças, parques etc. –, a qualificação técnica de mão de obra e o acesso à cultura, por exemplo. .

Para se construir um projeto de cidade sustentável, é preciso ter clareza quanto às demandas por serviços e infraestrutura que irão garantir o bem-estar da coletividade. Por outro lado, não se trata apenas de solucionar os problemas que já foram diagnosticados, mas de garantir uma eficiente articulação entre a esfera pública e a população envolvida, nas dimensões socioculturais, política, econômica, jurídica e ambiental.

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